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Dissertação apresentada ao Centro de Pós-Graduação / CPO São Leopoldo Mandic, para obtenção do titulo de Mestre em Odontologia. Área de Concentração: Implantodontia
Autor(a)(es): SIDNEY EDUARDO FRANCO DA ROCHA
Orientador: Prof. Dr. Eduardo Vedovatto.

RESUMO

O Sucesso na Implantodontia depende da harmonia entre o tecido ósseo, a prótese e o tecido mole, principalmente na região anterior da maxila em que os defeitos ósseos possuem importância significante no desafio estético. O propósito deste estudo foi avaliar clinicamente a influência da esponja de colágeno associada a hidroxiapatita no aumento volume em defeitos ósseos em região de maxila anterior.

Foram selecionados sete pacientes, todos saudáveis, ASA 1 cuja área receptora fosse portadora de atrofia óssea leve /moderada com depressões no sentido vestíbulo-palatino na região de maxila anterior e que possuísse remanescente ósseo suficiente para fixação de implante osseointegrado. Foram inseridos implantes compatíveis com a quantidade e qualidade de osso remanescente, concomitantemente ao posicionamento da esponja composta por 75% de hidroxiapatita / 25% de colágeno bovino, de modo a cobrir totalmente o defeito ósseo. A região operada foi mensurada por meio de um espessímetro nos períodos pré-operatório e no pós-operatório de 6 meses, em três regiões devidamente calibradas. Os dados foram submetidos ao ANOVA e Tukey post hoc com nível de significância de 5%. Os casos apresentaram um aumento médio de 30% na espessura do rebordo alveolar após o implante da esponja, não apresentando diferença estatísticamente significante (p=0,285) entre os locais de mensuração.

Concluiu-se que a esponja de colágeno/hidroxiapatita influenciou positivamente no ganho de volume do rebordo alveolar.

Palavras-chaves: Odontologia. Hidroxiapatita. Colágeno.

INTRODUÇÃO

Nos últimos dez anos devido a uma extensa documentação científica na implantodontia clínica e experimental, foi possível avaliar que a condição
biomecânica e a quantidade e qualidade de osso remanescente são condições primárias para o sucesso do tratamento. A atrofia óssea na implantodontia é fator limitante para a reabilitação estética e funcional. O enxerto ósseo é uma alternativa viável para restaurar condições anatômicas para a colocação de implantes.

Seibert (1983) classificou os tipos diferentes de deformidades de rebordos alveolares de acordo como tipo de reabsorção óssea, em três classes. Classe 1 – perda vestibulo-lingual do rebordo alveolar, com perda da espessura e manutenção da altura;
Classe 2 – perda corono-apical do rebordo alveolar com perda de altura e manutençào de espessura;
Classe 3 – combinação da perda do rebordo alveolar em ambas as dimensões, vestíbulo-lingual e corono-apical, com perda de altura e espessura.

O objetivo do enxerto ósseo é reconstruir um osso vivo sobre o qual os implantes poderão osteointegrar-se. Essa reconstrução deve ser densa para se opor aos fenômenos de reabsorção e permitir a melhor ancoragem primária possível aos implantes (Tulasne, Andreáni, 2010).

Os enxertos ósseos são divididos em: autógenos, isógenos, alógenos e xenógenos (Bicalho et al., 2008). Os aloenxertos e os xenoenxertos ósseos
geralmente são tratados para eliminar todo risco de transmissão viral, o que os torna tecidos mortos ou pelo menos acelulares.

Entre as complicações, pode-se citar a rejeição dos tecidos implantados nos casos dos xenoenxertos ou biomateriais que são estranhos ao receptor e, portanto passíveis de serem rejeitados. Entre as possíveis causas de fracasso estão: a má indicação do enxerto, a reação desfavorável do paciente (hematoma, infecção) ou o domínio insuficiente da técnica cirúrgica.

O tecido ósseo é formado por duas partes bem distintas: uma que possui um osso compacto, e outra osso esponjoso. O osso compacto é constituído de matriz inorgânica e matriz orgânica esta composta de colágeno, glicosaminoglicanos e de proteínas adesivas. Já os componentes inorgânicos são compostos de cristais de cálcio fósforo e hidroxiapatita (Resende, 1994).

A região anterior da maxila requer como pré-requisito a presença de quantidade suficiente e osso saudável, tanto em altura quanto em espessura. A qualidade óssea encontrada nessa região é mais um fator que contribui para uma menor taxa de sucesso na reabilitação por meio de implantes.

Atualmente, graças ao grande desenvolvimento tecnológico dos biomateriais associado ao avanço dos conhecimentos acerca da biologia do tecido ósseo, tornou-se possível influenciar seletivamente a formação óssea controlando a qualidade e a quantidade de osso dentro das estruturas bucais (Carvalho et al., 2011).

Em 2008, Bittencourt propôs um tratamento endodôntico com pré- medicação antibiótica e antiinflamatória e posteriormente um tratamento cirúrgico com a utilização de hidroxiapatita para regularização do tecido ósseo dos dentes 12, 11 e 21. Após dois meses observou-se um início de neoformação óssea dos dentes 21 e 11, com quatro meses observou a arquitetura do periodonto em arco com resseção gengival indicando a restauração da saúde periodontal do local.

Para aumento de volume tecidual e como substituto de tecido conjuntivo foi utilizada a hidroxiapatita com resultados satisfatórios após 11 meses (Simone, Buleau, 2008).

Dantas et al. (2010) utilizaram como biomaterial a hidroxiapatita em cirurgias de seio maxilar e evidenciou histologicamente um aumento de osso neoformado, concluindo que o biomaterial não é reabsorvido e o tecido conjuntivo foi substituído por tecido ósseo. Tendo em vista a hidroxiapatia como material viável na osteocondução, sua utilização como técnica reconstrutiva em defeitos ósseos pode trazer melhoria no contorno do rebordo oferecendo melhor estética e perfil emergente em pacientes submetidos à reabilitação com implantes dentários.

PROPOSIÇÃO

O objetivo deste estudo foi avaliar o implante de esponja de colágeno com hidroxiapatita como possível substituto ósseo e como meio de aumento volumétrico de mucosa em locais com depressões ósseas em região de maxila anterior.

 

3 REVISÃO DE LITERATURA

Em busca de desenvolver um novo biomaterial, Tieliewuhan et al. (2004), testaram uma armação em forma de anéis de carbonato de apatita sintetizada misturada com gel de colágeno neutralizado. Foram abertos 20 orifícios com uma broca de 0,6mm nesses anéis. A mistura foi liofilizada em esponjas porosas em um anel de hidroxiapatita (HAp). A observação por microscópio de varredura mostrou os poros favoráveis a invasão celular. Um corte seccional com hematoxilina-eosina, confirmou que células osteoblásticas invadiram a esponja de carbonato de apatita- colágeno. Quando este anel com esponja de carbonato de apatita-colágeno,foi implantado no periósteo do crânio de ratos, foi observada a formação de osso novo na superfície do periósteo. Se espera utilizar esses anéis com finalidade terapêutica de cura rápida para defeitos ósseos.

Segundo Park (2007), a redução da altura e largura do rebordo ósseo se opõe a um ótimo posicionamento dos implantes e pode comprometer o resultado da prótese esteticamente. A expansão óssea no momento da extração pode prevenir a necessidade de redução da crista do rebordo e reduzir o número de intervenções cirúrgicas. Um paciente com deiscência bucal e rebordo estreito, foi tratado para a colocação de implante. O dente foi extraído, o osso expandido por um osteótomo e uma matriz acelular tecidual foi colocada como membrana. O osso subjacente mostrou boa resposta e a matriz acelular tem potencial de aumentar o tecido queratinizado na área da extração. Schliephake et al. (2009) estudaram os diferentes tipos de carreadores ósseos. Segundo ele, um carreador ideal deve promover resistência mecânica em defeitos ósseos e resistência a pressão de tecidos moles, bem como uma conexão entre porosidade e degradação no crescimento irrestrito do osso e a substituição por osso regenerado. Eles devem ter a capacidade de carregar tecido mole biologicamente ativo e realizar sua liberação de forma controlada. Ocorre uma explosão de liberação, com perda de 80% de sua atividade dentro de 48 horas após a implantação. Existem carreadores orgânico: como fibras colágenas, seda e chitosan e inorgânico: como metálicos e mineralizados que se distinguem, a grosso modo, pelo seu sistema de ligação. Os inorgânicos são utilizados em larga escala, porém existe uma grande variabilidade de carreadores. Atualmente o único carreador orgânico usado é o colágeno.

Hinze et al. (2010) fizeram um estudo de engenharia óssea onde foram analisados in vitro, osteoblastos em dois materiais: hidroxiapatita não sinterizada, e outro em matriz óssea desmineralizada (DBX), para descobrir se seu uso seria adequado em áreas de reconstrução óssea em cirurgia oral. Os osteoblastos foram coletados da mandíbula em procedimentos orais de rotina, e semeados nesses dois tipos de materiais. As células foram caracterizadas por ensaio de fosfatase alcalina, detecção de tipo 1 de colágeno e produção de osteocalcina. Após 21 dias de cultivo, observou-se a formação de uma camada vital de células vitais múltipla na DBX, enquanto na hidroxiapatita as células demonstraram não ter tendência a proliferar ou migrar para o biomaterial. Estas descobertas sugerem que a morfologia da superfície ou a presença de osteocondutores podem ter importante papel na adesão e proliferação dos osteoblastos. A DBX indica ter potencial de portador alogênico para futuros procedimentos em engenharia óssea.

Lambert et al. (2011) realizaram um estudo em seios sinusais de ratos, onde foram utilizados 3 tipos diferentes de preenchimento. Foram usados o grupo do coágulo sanguíneo, o grupo de osso autógeno bovino e o grupo de hidroxiapatita bovina, comparando a estabilidade do volume ósseo regenerado a curto e longo prazo. Avaliaram também quantitativamente e qualitativamente o osso recém formado e seu comportamento. Concluiu-se que os três tipos de preenchimento permitem nova formação óssea. Entretanto o aumento de volume diminui consideravelmente nos dois primeiros grupos, enquanto se manteve estável no grupo da hidroxiapatita bovina. Portanto, de acordo com os resultados, a hidroxiapatita bovina parece ser a mais eficiente dos três para a estabilidade 3D do volume ósseo. Uma das funções da hidroxiapatita (HA) é ser usada como carreador de BMPs (bone morphogenetics proteins). Rohanizadeh & Chung (2011) compararam três diferentes métodos de carregar BMPs com hidroxiapatita:

  1. a) incorporação de BMP durante a precipitação da HA;
  2. b) imersão de HA em uma solução de BMP;
  3. c) incorporação de BMP durante a conversão de fosfato dicálcicodiidratado(DCPD) em HA.

A HA pode produzir grande variação na captação e liberação da proteína, também afetando as propriedades fisicoquímicas e morfológicas.

Baseado nos parâmetros da síntese de HA mais próximo das condições fisiológicas, a incorporação de BMP reduziu o tamanho do cristal de HA durante o método de precipitação e imersão.

Entretanto o carregamento de proteína BMP no processo de conversão de DCPD para HA, mostrou não haver alteração significante nos cristais de HA. Como resultado pode-se observar que a maior captação foi conseguida pelo método de imersão, seguida pelo de precipitação, e o menor foi no de conversão. É interessante notar que o carregamento durante a precipitação de HA resultou em sustentada e prolongada a liberação de BMP, comparado com os outros dois métodos, concluindo-se que a incorporação durante a precipitação se mostrou o melhor método de carregamento.

Segundo estudo realizado por Simion et al. (2012), o aumento de tecido mole periimplantar na região estética continua sendo um desafio, sendo a região anterior da maxila considerada a mais critica. Neste estudo foram utilizados um total de seis pacientes. Todos os pacientes foram previamente submetidos a regeneração óssea maxilar através do uso de matriz de colágeno (Mucograft) e uma membrana com reforço de titânio(e-PTFE). Dois pacientes foram submetidos simultaneamente a colocação do implante de colágeno e da membrana, e quatro pacientes foram submetidos á colocação da matriz de colágeno na segunda fase cirúrgica, quando a membrana foi removida. O período de regeneração foi o rotineiro em todos os seis pacientes. Foram realizadas medidas apicalmente, centralmente e oclusalmente, através de stents customizados por meio de limas endodônticas, e pelo abutment onde foi colhido tecido para exame histológico. Os resultados mostraram um aumento moderado no volume do tecido mole de regiões estéticas periimplantares quando utilizada matriz de colágeno. Entretanto as técnica de mensuração precisam ser melhoradas, para um registro exato do aumento de volume nos tecidos moles. No estudo de Lee et al. (2009), as proteínas morfogenéticas ósseas (BMPs) são atualmente aprovado para fusão espinhal, reparação e fratura da tíbia e regeneração óssea maxilo-facial. No entanto, BMP pleiotropismo, atividades paradoxais sobre as células precursoras, e os efeitos colaterais imprevistos em sítios ectópicos podem limitar o seu uso. Assim, permanece a necessidade de alternativas que proporcionem fatores osteoindutores mais específicos e com menos efeitos adversos. Nell-1 [Nel molécula do tipo-1; Nel (uma proteína altamente especializada no tecido neural é uma nova proteína osteogénica que visa especificamente células comprometidas com a linhagem osteogênica. O objetivo deste projeto é a incorporação de Nell-1 em uma massa transportadora moldável que pode se adaptar a defeitos ósseos e entregar para o microambiente local. Mostrou que moldabilidade pode ser conseguida por mistura de hidrogel de ácido hialurônico com dois tipos de partículas: pó de osso desmineralizado de osteocondutividade, e apatita biomimética revestida de alginato / quitosana micropartículas para entrega controlada de Nell-1. Além do maior osteocondutividade global do portador, o revestimento de apatita biomimética também proporciona uma libertação mais prolongada (~ 15% de libertação cumulativa ao longo de 30 dias) e reduz significativamente a libertação brusca inicial que é observado com os não-revestido de alginato / micropartículas de quitosana (~ 40% libertar depois de 1 dia). A eficácia de entrega Nell-1 a partir dessas transportadoras foi avaliada em um modelo de fusão vertebral de ratos contra Nell livres de carreadores como controles. 4 semanas pós-implantação, da Nell-1, melhoradas taxas de fusão espinal tal como medido pela palpação manual, radiografias de alta resolução, tomografia micro-computorizada (CT μ), e histologia. Este sistema de suporte moldável parece ser um portador adequado para a promoção da osteogênese, e será adicionalmente avaliada em animais de grande porte durante períodos mais longos para seguir a remodelação do osso regenerado.

Mateus (2013) avaliou através de estudos histológicos em coelhos, por meio de enxertos de hidroxiapatita (HAP-91) em coelhos, evidenciou que após 15 dias uma grande quantidade de vasos sanguíneos, fibras colágenas, osteocítos, osteoblastos, fibroblastos além de tecido ósseo neo-formado na região operada.

Thoma et al. (2014), em uma revisão sistemática sobre a eficácia das técnicas de aumento volumétrico ao redor de implantes, verificaram que as técnicas mais utilizadas para essa finalidade são enxerto gengival livre, o enxerto de tecido conjuntivo e o enxerto de matriz de colágeno. O trabalho avaliou o aumento de volume de tecido mole e a varização da faixa de mucosa queratinizada. Os resultados apresentaram-se favoráveis para o conjunto estético (volume e faixa de mucosa queratinizada) nos casos em que foram utilizados o enxerto de tecido conjuntivo. Os autores concluíram que no caso da técnica utilizando a matriz de colágeno, o morbidade assim como o tempo cirúrgico foram reduzidos.

4 MATERIAIS E MÉTODOS

4.1 Participantes

Para avaliação da eficácia da esponja de colágeno/hidroxiapatita no aumento de volume de rebordos alveolares atróficos foram selecionados dez pacientes de clínica particular, que obedeciam os seguintes critérios de elegibilidade:

  1. a) todos saudáveis ASA1;
  2. b) pacientes com indicação de tratamento de implantodontia em regiãoanterior de maxila e 1o pré-molar;
  1. c) área receptora fosse portadora de atrofia óssea leve/moderada na região de maxila anterior (classe 1 de Seibert), caracterizada por depressões no sentido vestíbulo-palatino e que possuisse remanescente ósseo suficiente para a fixação de implante osseointegrado.

Os pacientes foram recrutados numa pré-avalição (triagem) em que o diagnóstico foi realizado por dois profissionais, após o exame clínico e os exames complementares (radiografia panorâmica e/ou tomografia) de acordo com os critérios de eleição sendo os dez primeiros designados à pesquisa. O planejamento foi minuciosamente exposto aos pacientes, informando-os dos riscos e cuidados a serem seguidos e das possibilidades frente à proposta da pesquisa de maneira a se sentirem seguros o suficiente para aceitar o termo de consentimento livre e esclarecido (anexo A).

Figura 1 – Fluxograma.

Fonte: Autoria própria.

4.2 Intervenção

Todos os pacientes foram submetidos à anamnese pré-operatória, hemograma completo, glicemia em jejum, coagulograma completo, uréia, creatina, calcemia e fosfatase alcalina. Para avaliação do defeito de rebordo os pacientes foram analisados nos períodos pré-operatório imediato e pós-operatório de 8 meses.

Os pacientes foram tratados individualmente e pelo mesmo operador em dias distintos de acordo com o agendamento.

Os pacientes selecionados foram moldados com um silicone de adição Elite HD® (Zhermack, Rovigo, Itália) para possibilitar a confecção de um modelo de estudo inicial. Clinicamente, a região atrófica foi mensurada com um paquímetro especialmente confeccionado para esta pesquisa (figura 2), milimetrado com marca de 0 a 15 mm, de 1 em 1 mm, que possibilitaram a tomada das medidas nos sentidos vestíbulo-palatino em três posições de acordo com a situação:

  1. a) sobre o modelo de gesso obtido serão realizadas as mensuraçõesvestíbulo-palatinas nas seguintes alturas: 1 mm, 5 mm, 10 mm, tomando como referência a porção mais coronal do rebordo;
  1. b) a segunda situação será realizada diretamente na boca, no momento da cirurgia, antes da incisão do retalho, medindo-se o rebordo com gengiva nas três alturas conforme descrito anteriormente;
  1. c) a terceira situação acontecerá diretamente na boca, após a realização da incisão do retalho total e instalação do implante, utilizando a própria plataforma como referencia para as três mensurações;
  1. d) a quarta situação será realizada em um modelo obtido por uma nova moldagem com silicone de adição densa após seis meses da

colocação da esponja de colágeno;

  1. e) a quinta mensuração será realizada no momento da reabertura, diretamente na boca, antes da incisão do retalho, medindo-se o rebordo com gengiva levando em consideração a porção coronal do rebordo;
  1. f) a sexta mensuração será realizada no momento da reabertura, diretamente na boca, após a incisão do retalho, medindo-se o rebordo ósseo levando em consideração a referência do implante.

Após a realização das mensurações, tanto no modelo de gesso quanto diretamente sobre o rebordo, os dados serão tabulados e a comparação será realizada entre as medidas finais para cada local e as medidas iniciais.

Figura 2 – Espessímetro deselvolvido para a mensuração do rebordo alveolar com guia para
calibrar as alturas.

Fonte: Autoria própria.

4.3 Descrição cirúrgica

Após assepsia com extra oral (clorexidina 2% – solução aquosa) e intra bucal os pacientes foram anestesiados com Mepiadre_DFL ( Mepivacaína 2% 1:100.000) de forma infiltrativa. Posteriormente foi realizada incisão em nível de crista de rebordo ligando a duas incisões relaxantes divergentes até a região de fundo sulco vestibular (ultrapassando a união mucogengival). A seguir procedeu-se ao descolamento do tecido juntamente com o periósteo provocando um afrouxamento total do tecido, expondo o osso maxilar, dando condições de se fazer as mensurações do rebordo anteriormente descritas. Após o preparo do alvéolo cirúrgico foi inserido o implante compatível com a quantidade e qualidade de osso remanescente. A tábua óssea vestibular foi descorticalizada para facilitar o aporte sanguíneos e posicionar a esponja de hidroxiapatita (COL.HAP 91 – JHS , Sabará- MG, Brasil) ,de modo que esta cubra o defeito de modo integral. Confirmada a posição e volume corretos a sutura (fio vycril 5-0 – Johnson, Brasil). A medicação pós-operatória de eleição foi Amoxicilina 500mg 8/8h 7 dias, associados ao Ibuprofeno 400mg 6/6h 3 dias . Os pacientes foram orientados a evitar compressão da área operada bem como manter uma boa higienização a fim de preservarmos o leito cirúrgico.

Cabe ressaltar, que todas as mensurações foram realizadas por um único operador devidamente calibrado, e cada local mensurado duas vezes em ordem aleatória.

Figura 3 – Imagem do defeito mesio-distal.

Fonte: Autoria própria.

Figura 4 – Imagem rebordo vista oclusal.


Fonte: Autoria própria.

 

Figura 5 – Retalho total.

Fonte: Autoria própria.

Figura 6 – Mensuraçâo posição 1.

Fonte: Autoria própria.

Figura 7 – Fresagem para colocação do implante.

Fonte: Autoria própria.

 

Figura 8 – Implante inserido.

Fonte: Autoria própria.

Figura 9 – Decorticaliozaçâo do tecido ósseo.

Fonte: Autoria própria.

 

Figura 10 – Esponja de hidroxiapatita (COL-HAP).

Fonte: Autoria própria.

Figura 11 – Esponja de hidroxiapatita posicionada.

Fonte: Autoria própria.

 

Figura 12 – Sutura do leito cirúrgico.

Fonte: Autoria própria.

Figura 13 – Caso finalizado após sete meses.

Fonte: Autoria própria.

 

5 RESULTADOS

A Tabela 1 que avaliou os dados absolutos das médias dos sete pacientes analisados demonstrou um aumento de volume uniforme para os três locais mensurados sem diferença estatística significante entre os locais de mensuração.

Tabela 1 – Análise de Variância para os dados dos locai de mensuração.

Fonte: Autoria própria.

Tabela 2 – Teste de Tukey para o ganho de espessura (mm) do rebordo alveolar nos diferentes locais.

Fonte: Autoria própria.

A mesma avaliação foi realizada em dados relativos ou seja, considerando a espessura remanescente (gráfico 1).

 

Gráfico 1 – Gráfico do ganho percentual da espessura de gengiva nos locais mensurados.

Fonte: Autoria própria.

Os dados da avaliação direta da mensuração sobre o tecido ósseo mostrou diferença estatisticamente significante em relação ao local de mensuração (tabelas 3 e 4).

Tabela 3 – Análise de Variância para os dados dos locai de mensuração considerando a espessura óssea.

Fonte: Autoria própria.

 

Tabela 4 – Teste de Tukey para o ganho de espessura (mm) do rebordo alveolar nos diferentes locais considerando o tecido ósseo.

Fonte: Autoria própria.

O gráfico 2 mostra a variação de espessura do tecido duro em dados relativos.

Gráfico 2 – Variação de espessura do tecido duro.

Fonte: Autoria própria.

 

6 DISCUSSÃO

Esse trabalho avaliou a alteração da espessura do rebordo alveolar em caso de implante osseointegrável com uso de enxerto de esponja de hidroxiapatita na qual verificou um aumento relativo que variou de 25 a 30%. Esses dados estão em acordo com os apresentados na literatura (Simion et al., 2012).

Com relação ao local de mensuração considerando a mucosa periimplantar verificou-se que houve uma uniformidade do aumento de espessura tanto para região 1 (crista do rebordo) quanto para a região 5 e 10. Embora a resiliência do tecido seja diferente nesses locais, o aumento de espessura também pode ter sofrido influência de fatores distintos. Na região próxima à crista do rebordo, em função da tensão do tecido durante a síntese e período cicatricial, pode ter sofrido menor influencia da esponja de hidroxiapatita do que as regiões 5 e 10 em que a mucosa apresenta maior resiliência e permite portanto melhor acomodação da esponja. Para Schliephake (2009) o tipo de carreador é extremamente importante para a resistênciamecânica à pressão dos tecidos ósseos, sendo o mais utilizado o colágeno, embora ofereça menor resistência do que os inorgânicos.

A mensuração do tecido duro pode corroborar esse fato, visto que a alteração óssea na posição 1 foi significantemente maior do que os locais 5 e 10.

Provavelmente esse fato deve ter ocorrido pela expansão do rebordo durante a fixação do implante uma vez que na maioria dos casos são atróficos, fato também observado por Park (2007) quando avaliou a resposta do tecido ósseo após o procedimento de expansão com osteótomo.

O aumento de espessura de tecido duro nas regiões 5 e 10 provavelmente deve-se a incorporação da hidroxiapatita na superfície óssea, não podendo definir se houve ou não neoformação óssea em conjunto, embora Tieliewuhan et al. (2004) tenham observado migração de células osteoblásticas para a esponja de carbonato de cálcio-colágeno implantadas em crânio de ratos. O ganho de volume apresentado na associação do colágeno com a hidroxiapatita deste estudo (1,28 a 1,71mm) estão compatíveis com os achados de Thoma et al. (2014), que observaram ganhos variando de 1,4mm a 2,3mm na utilização de biomateriais. Entretanto apresentam-se inferiores aos resultados do enxerto de teido conjuntivo que mostrou ganho volumétrico de 2,2 a 3,3mm. Dentre os fatores que podem interferir no resultado está a contração tecidual possivelmente agravada pela reabsorção de colágeno. Sanz et al. (2009) encontraram maior contração tecidual nos casos de enxerto de matriz de colágena em relação ao enxerto de tecido conjuntivo.

A esponja de hidroxiapatita apresentou resultados satisfatórios, podendo ser uma alternativa ao enxerto autógeno tanto de tecido ósseo quanto de tecido conjuntivo para correções de pequenas depressões que não envolvem a recuperação funcional. Embora o período de acompanhamento ainda seja curto, diversos trabalhos tem demonstrado a absorção lenta dos implantes de hidroxiapatita (Lambert et al., 2010). Portanto, espera-se que a hidroxiapatita da esponja permaneça estável.

 

7 CONCLUSÃO

Com base nos achados pode-se concluir que a esponja de hidroxiapatita influenciou positivamente no aumento de espessura do rebordo alveolar, podendo ser uma excelente ferramenta para correções de pequenos defeitos.

 

REFERÊNCIAS

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