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Tipo: OTORRINO
RESPONSÁVEL TÉCNICO: Dr. Dário Antunes Martins

Introdução
A rinite atrófica é uma doença nasal crônica caracterizada pela atrofia progressiva da mucosa nasal, reabsorção óssea dos cornetos,
presença de secreção viscosa, formação de crostas e por odor fétido característico, algumas vezes chamado ozena. A doença foi
inicialmente descrita como entidade clínica isolada por Fraenkel em 1876. Parece ser mais comum em mulheres que em homens, numa
proporção de 1:6. A rinite atrófica primária (idiopática) ocorre em um nariz previamente normal. A forma secundária ocorre mais comumente
como complicação pós-operatória tardia de cirurgia nasal. Ambas apresentações cursam com ampla cavidade nasal, com epitélio metaplásico, pobre em cílios e elementos glandulares, coberta por crostas espessas e de odor desagradável. O diagnóstico é clínico.
O objetivo do tratamento é acabar com a infecção secundária, diminuir a quantidade de crostas e aliviar o cheiro ruim. Quando o tratamento medicamentoso não mostra resposta satisfatória, a intervenção cirúrgica é indicada. As técnicas empregadas visam estreitar as fossas nasais para tornar a passagem de ar mais fisiológica.
Implantes de tecidos vivos como gordura, osso ou cartilagem foram tentados, no entanto, com sua absorção gradual os sintomas tendem a recorrer. O principal inconveniente com enxertos sintéticos, como o silicone, é sua freqüente extrusão.

Caso Clínico
Paciente C.A.M., de 47 anos de idade, foi atendido no Ambulatório Melo Alvarenga pela equipe de Otorrinolaringologia da Santa Casa
de Misericórdia de Belo Horizonte. Informava ressecamento nasal importante, com formação de crostas e odor desagradável, evoluindo de longa data. Sem passado cirúrgico ou comorbidades.
Tanto a história clínica, exame físico, como a propedêutica posterior, apontaram para o diagnóstico de rinite atrófica.
Após a falha do tratamento clínico, com antibóticos orais e sprays nasais, foi indicada cirurgia. Submetido a duas intervenções cirúrgicas com uso de cartilagem costal como enxerto nasal. O resultado não foi satisfatório, com queixa de dor importante no período pós-operatório e reabsorção parcial do material.
Neste caso, programou-se nova cirurgia com uso do composto de colágeno hemostático com hidroxiapatita absorvível (COL-HAP-91®), aplicada como material ósseo condutor. Tal composto já foi utilizado em diversos trabalhos científicos na área da saúde, apresentando boa biocompatibilidade, além do fácil manuseio.

Materiais e Métodos
A técnica cirúrgica foi realizada sob anestesia geral, com via de acesso endonasal por endoscópio rígido de 0º, alternado com visão direta por rinoscopia anterior. A mucosa nasal é infiltrada com solução de Lidocaína 2% com Adrenalina na concentração de 1:80.000. Executou-se a técnica de inclusão endonasal, com descolamento da mucosa do assoalho, septo e parede lateral do nariz após incisão. O compartimento único e amplo criado é, então, preenchido por COL-HAP-91®, mantendo-se contado ósseo em pelo menos uma margem. A seguir, foi feita sutura, com sangramento mínimo.

Resultados
Não foram observadas complicações pós-operatórias. A fibronasolaringoscopia flexível realizada dois meses após a cirurgia mostrou estreitamento adequado das fossas nasais e ausência de crostas ou mau-cheiro. Não houve extrusão do enxerto. O paciente encontra-se muito satisfeito com a evolução até o momento atual.

Discussão
Apesar de sua incidência ter diminuído significativamente nos países desenvolvidos,a rinite atrófica permanece como um problema
comum nos países em desenvolvimento. Não se conhece cura. Todas as medidas descritas na literatura, clínicas ou cirúrgicas, têm
efeito paliativo curto ou duradouro. Considerando-se todas as técnicas cirúrgicas descritas e as modificações nos tipos de enxertos utilizados nos últimos 50 anos, fica claro que a rinite atrófica tem atraído interesse de vários investigadores em diversos países. Nosso trabalho foi realizado com a intenção de apresentar uma nova via de acesso nasal para a colocação de enxertos com COL-HAP-91®, hidroxiapatita sintética.

Conclusão
O procedimento cirúrgico apresentado é relativamente simples de ser realizado. A escolha de enxertos com COL-HAP-91® para
tratamento da rinite atrófica mostrou resultados encorajadores. O material aparece como uma alternativa à reconstrução com enxertia óssea com fragmento de costela, permitindo cirurgias menos complexas e menor morbidade pós-operatória.

Referencias bibliográficas
1- JHS Laboratório 2002
2- Dutt SN: The etiology and management of atrophic rhinitis,
The Journal of Laryngology d Otology, 2005
3- Goldenberg D: Plastipore implants in the surgical treatment of
atrophic rhinitis – Technique and results. Otolaryngology Head
and Neck Surgery, 2000
4- Garcia GJM, Martins DA: Atrophic rhinitis – A CFD study of
air conditioning in the nasal cavity. J. Appl. Physiol. In press,
2007

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